“Festival Erê – O Festival dos Crias” valoriza a infância e a cultura comunitária na zona rural de Macaé
A zona rural de Macaé viveu, neste domingo (14), uma tarde de encontros, brincadeiras, afeto e pertencimento. O Córrego da Pedra, localidade do bairro Virgem Santa, recebeu a primeira edição do “Festival Erê – O Festival dos Crias”, evento cultural gratuito voltado às infâncias da região, que reuniu crianças, famílias e moradores em uma programação pensada para fortalecer vínculos comunitários, valorizar a cultura local e ocupar o território com arte.
A palavra “Erê”, de origem yorubá, significa brincar e foi exatamente esse espírito que tomou conta da comunidade ao longo da tarde. Idealizado por Laís Monteiro, jornalista, produtora cultural e moradora da localidade, o festival nasceu do desejo de ampliar o acesso à cultura nas zonas rurais, reconhecendo as infâncias do campo como parte fundamental da identidade macaense.
O evento foi patrocinado pelo Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc, via Edital 002/2024 da Prefeitura de Macaé, e contou com acessibilidade em Libras, com interpretação de Verônica Santos e Layla Rodrigues.
Tarde de oficinas, brincadeiras e vivências culturais
A programação da primeira edição reuniu atividades formativas, lúdicas e artísticas. As crianças participaram da Oficina de DJ com Neskau e da Oficina de Percussão com Emerson Santana, além da roda de conversa “O futuro que queremos”, com Raquel Petersen, criando espaços de escuta, imaginação e construção coletiva.
O espaço também foi tomado por brinquedos gratuitos, como pula-pula, tobogã e touro mecânico, além de diversas atividades livres, respeitando a dinâmica e o modo de vida da comunidade. O encerramento ficou por conta do já conhecido “Bailinho do Neskau”, que transformou o local em uma grande matinê comunitária.
Cultura como ferramenta de pertencimento
Moradora da zona rural há mais de uma década, Laís Monteiro destacou que o Festival Erê nasce do entendimento de que o desenvolvimento da região precisa caminhar junto com o respeito à cultura local.
“Quando cheguei aqui, mal havia luz nos postes e o sinal de telefone não pegava. Os avanços são importantes, mas precisam acontecer preservando a cultura comunitária que sempre sustentou a vida rural. Acredito no avanço consciente, que respeita o campo, a cultura leiteira, a avicultura e o manejo de gado que acontecem aqui há muito tempo”, afirmou.
O festival também teve um significado afetivo profundo. Laís dedicou o evento à memória de seu pai, Djalma Monteiro, morador histórico da comunidade.
“Meu pai montou o primeiro comércio do Córrego da Pedra, o Bar e Mercearia do Djalma, e sempre teve um carinho enorme pelas crianças. Ele sonhava em realizar atividades para elas. Com seu falecimento no ano passado, assumi essa missão em seu nome, com afeto e responsabilidade”, contou.
Infâncias livres, território vivo
O Festival Erê foi construído a partir das vivências da própria comunidade.
“As crianças daqui ocupam o território com liberdade, jogam bola na rua, andam de bicicleta, brincam de laçar boi, sobem em árvores. São experiências riquíssimas que fazem parte da nossa rotina”, explicou Laís. “A cultura transforma vidas, gera identidade e fortalece a autoestima das crianças. Por isso é tão importante levar ações culturais para as zonas rurais respeitando suas particularidades.”
Segundo a idealizadora, o festival marca o início de um movimento maior dentro do território.
“Meu compromisso com este território é político, social e comunitário. Quero que o Festival Erê seja o começo de um caminho para ampliar a presença da cultura nas comunidades rurais, sempre com respeito à preservação ambiental, cultural e social. As crianças merecem brincar com segurança, pertencimento e liberdade. Merecem esse evento, mas também muito mais acesso, cuidado e equidade”, concluiu.

